o cosmos e a pele
A ideia não é minha, embora apareça recorrentemente, desde há anos, na compreensão dos espaços que percorro; ouvi-a de novo numa aula, pela boca de alguém que fala com encanto das pequenas coisas que encantam a vida: é ideia simples mas por vezes ignorada, assumir que as condições meteorológicas condicionam aquilo que fazemos, os nossos estados de espírito e até a forma como nos entregamos aos outros. Como poderia não ser assim, se é todo o cosmos a pressionar a nossa pele, não apenas o frio ou a chuva, não apenas o vento que sopra em devaneio, mas todo o cosmos, todos os espaços visíveis e invisíveis que se concentram, que se alinham em direcção ao nosso corpo, que se condensam, provocando um sem-número de sensações contínuas; é a nossa pele pressionada contra o cosmos, num frenesim de pequenas camadas e de pequenas sensibilidades, a nossa pele de novo e sempre transformada em campo de batalha contra aquilo que nos escapa e fustiga e acaricia como se de um outro corpo, infinito e poderoso, se tratasse. Como poderia isto não ser fundamental?
1 Comments:
At 4:55 da tarde,
Anónimo said…
Eu não vejo como poderia não o ser. ´
E ainda bem que assim é, que há o que fuja tanto ao nosso controlo e nos faça sentir parte de algo tão maior.
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